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Vinho e Coração e o paradoxo francês

A relação entre vinho e coração, na verdade, só começou a assumir importância quando, em 17 de novembro de 1991, o programa de Marley Safer, 60 minutes, da rede de televisão americana CBS, o de maior audiência no país, abordou em detalhes o “paradoxo francês”.

Os franceses, a despeito da dieta rica em gorduras saturadas, fumo e sedentarismo, entre outros fatores de risco, possuíam taxas de doenças coronarianas de apenas 40% das americanas, justificadas pelo consumo regular de vinho tinto.

A partir daí, como era de se esperar, nas grandes universidades e respeitadas entidades científicas formaram-se grupos para conduzir estudos de longo prazo com a finalidade de confirmar e até ampliar conhecimentos sobre os efeitos benéficos do vinho no organismo humano.

Foi nas doenças cardíacas, onde primeiro se observou os efeitos benéficos da ingestão regular e moderada de vinho.

Uma quantidade muito grande de estudos epidemiológicos mostra que a ingestão moderada de vinho diminui as doenças cardíacas e circulatórias e as mortes por estas causas entre 40 e 60%.

Já se evidenciaram os seguintes mecanismos para a proteção cardiovascular oferecida pelo consumo moderado de vinho:

1.Os componentes fenólicos, polifenóis e flavonóides, contribuintes ativos nas propriedades sensoriais do vinho, atuam de forma benéfica para a saúde.

Mais especificamente, o efeito cardioprotetor do vinho seria dado principalmente pelo resveratrol, promotor de uma elevação da taxa de colesterol HDL (bom colesterol) e das apolipoproteínas e por uma ação antioxidante, que levaria à diminuição do colesterol LDL (mau colesterol, responsável pelo processo de aterosclerose).

2. A ingestão moderada de vinho (uma a duas doses diárias) promove elevação de aproximadamente 12% nos níveis de HDL, semelhante à obtida com a prática de exercícios.

3. Diminui a agregação plaquetária e o fibrinogênio e aumenta a atividade fibrinolítica e antitrombina – todas ações que dificultam a formação de coágulo, que é a causa principal de oclusão dos vasos sangüíneos. Fato este que causa infarto do miocárdio, derrame cerebral e gangrenas.

4. Modifica a camada interna dos vasos sangüíneos – o endotélio, alterando a produção de óxido nítrico e diminuindo outras moléculas de adesão ao endotélio, dificultando dessa maneira a aterosclerose.

5. Aumento da resistência e elasticidade da parede vascular.

6. Dilata os vasos sangüíneos diminuindo a resistência ao trabalho do coração.


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