Vinho e Infecções
Desde a antiguidade se reconhece no vinho um efeito nti-infeccioso.
Acreditava-se inicialmente que este efeito se devia ao seu pH muito ácido (2,7 a 3,2) e ao álcool. Estas seriam condições muito hostis às bactérias, que aí não conseguiriam sobreviver.
Isso funciona para alguns microrganismos. Mas na verdade, a principal ação anti-infecciosa do vinho se deve aos antocianos, que têm uma atividade bactericida direta, quando na presença do álcool.
Esse polifenol encontra-se na casca da uva e é o responsável pela sua cor e pela do vinho. O espectro de ação dele é grande. A natureza, sabiamente, colocou este antibiótico natural na casca das uvas, como um mecanismo de proteção. Certamente este é um dos fatores que a torna tão resistente e permitiu que ela atravessasse os tempos, desde a pré-história.
O vinho e o suco de uva, mesmo a diluições muito altas, como 1:1000, inativam uma série grande de vírus, entre eles o herpes vírus simples tipo I (causador do herpes labial), Poliovirus I (causador da poliomielite), o Echovirus, Coxsachie B5.
Os grandes responsáveis por isto são as procianidinas, polifenol abundante no vinho e no suco de uva. Elas se ligam à capa dos vírus, impedindo-os de entrarem nas células, onde causariam a infecção.
Um estudo feito durante os anos de 1998 e 1999 na Universidade de Santiago de Compostela, Espanha, com 4272 professores de cinco Universidades daquele país, evidenciou que quem tomava 14 ou mais taças de vinho por semana, tinha 40% menos resfriado do que os abstêmios e os que bebiam cerveja ou destilados. Eles observaram também que este efeito era mais significativo para os que tomavam vinho tinto.


